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Crónicas do Novo Mundo

Depois de séculos de escuridão, os sobreviventes da grande catástrofe emergem das Arcas de Vida, gerações e gerações depois os humanos voltam a caminhar na terra, que se abram as portas do novo mundo!

Crónicas do Novo Mundo

Depois de séculos de escuridão, os sobreviventes da grande catástrofe emergem das Arcas de Vida, gerações e gerações depois os humanos voltam a caminhar na terra, que se abram as portas do novo mundo!

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O Concilio dos Deuses PT V

por Pinheirinho, em 17.02.17

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Chamados a uma enorme sala, ao fim da primeira semana, onde aproveitaram para se ambientar e se conhecerem melhor, alguns reclamaram pelos números recebidos, outros fizeram uma enorme festa, outros reclamaram das vestes, outros apaixonaram-se, outros ficaram com medo de amar, outros descobriram outras pessoas e pessoas com quem falar.

Pode parecer estranho mas daqueles 101 ao fim de uma semana ninguém quis desistir, leram nos livros que tinham na cabeceira da cama as regras, o que implicava ser um ou outro, ou nada, apesar de alguns o temerem, em conversas uns com os outros todos quiseram ficar.

 

Quando transmitiram essa informação ao criador, ele sorriu e entre esse mesmo sorriso disse, “Então amanhã começamos, ao fim do primeiro ciclo de testes iremos ter uma avaliação e assim sucessivamente até ter o que procuro, boa sorte a todos!”

 

Nos dias que se seguiram passaram horas fechados numa sala completamente branca, sem janelas, apenas secretárias brancas, cadeiras brancas, até o quadro na parede era branco, eram-lhes dados teste em que apenas tinham de escolher 1 de 2 objectos, sendo que o teriam de fazer de modo instintivo, mais do que 3 segundos na escolha e já não podiam escolher.

Outras vezes aparecia apenas a imagem do criador, que lhes falava durante horas sobre os assuntos do universo, alguns acabavam por adormecer, outros tentavam interromper para questionar, algo que se tornava impossível.

Comer, dormir, aulas, comer, aulas, comer, dormir e repete, dias e mais dias e mais dias, ao fim do que lhes pareceu mais de um ano, o Criador os chamou à sala de controlo para onde no inicio tinham sido transportados.

- Olá, há muito que não vos via, quanto tempo foi, um mês? Dois? Perdi a conta.

- Bom, isso não importa nada, já tenho o resultado dos vossos primeiros testes, parecem idiotas eu sei, que escolher entre uma uva e uma laranja? Decisão difícil, mas podem ter a certeza que é muito importante para conhecer a fundo o vosso carácter humano.

- Posto isto, passemos aos resultados, sempre que eu chamar um dos vossos números, por favor desloquem-se para o lado direito da sala.

- Irei chamar não por notas, mas por ordem numérica, do 1 ao 11, do 17 ao 54, do 60 ao 65, 68, 71, do 73 ao 90, 94 ao 101.

- Aos restantes os meus parabéns, foram os melhores deste primeiro Ciclo.

- E qual de nós foi o melhor? – Perguntou o 66.

- Isso é irrelevante, também não direi quem foi o pior, sabem que este primeiro ciclo incluía apenas a parte psicológica de cada um, posso por exemplo dar-te um pequeno exemplo, em alguns casos a resposta certa era não escolher nada, nesses casos dei como tempo mais do que os 3 segundos, para ter a certeza que seriam feitas as escolhas certas e não por tempo, sabem quantos responderam a essas certas? Quem está aqui à minha esquerda, está aqui alguém que nunca conseguiu escolher nenhum dos objectos.

Todos riram, o 8 deu um passo em frente e disse.

- Como posso eu escolher entre uma coisa e outra? A maioria das coisas nunca tinha visto na vida, podiam ter vidas, o que aconteceria aquele que não escolho, seria extinto? O quê? Não posso escolher uma de duas, ou escolho as duas ou nenhuma!

A sala encheu-se de um riso cada vez mais estridente, a jovem corou e baixou a cabeça de vergonha, o criador colocou-lhe o dedo debaixo do queixo e fe-la olhar para ele.

Deixa-os rir 8 foi a melhor coisa que já ouvi, tens toda a razão, há coisas pelas quais não podemos escolher uma em função de outra, tudo tem um equilíbrio.

- Agora terão uma semana de férias antes de começar o segundo ciclo, façam o que quiserem explorem o planeta, sim, estamos num planeta, já conhecem os nossos jardins?

Dito isto abriram-se duas gigantescas portas mesmo atrás deles que davam para um jardim que ia até à linha do horizonte.

 

O criador olhou-os enquanto saiam a ultima foi a 8 que ia mais devagar e cabisbaixa.

- Aida? – Chamou o criador.

- Sim mestre! – Respondeu a 8, voltando-se para trás rodando os seus longos cabelos vermelhos.

- Parece que fiz bem em ficar contigo aqui, podes ser a mais nova de todos, mas gosto da tua pureza, nunca a percas!

- Não mestre, na nossa cidade fomos ensinados a amar todas as espécies, tudo o que a terra nos dava, apesar do pouco que tínhamos, dividíamos com todos, pode ser pouco, mas tinha de dar para todos.

- Eu sei Aida, agora vai, boa sorte para o próximo ciclo!

 

A jovem saiu da sala transpondo as enormes portas que se fecharam atrás dela, o criador ficou a sorrir e pensou em voz alta.

“Afinal ainda há esperança para a raça humana, talvez me tenha precipitado um pouco, mas também quem é que adivinhava que iriam por a Lua oca à frente do cometa!”

“Tem razão senhor, quem é que podia suspeitar de uma coisa dessas”

“Cala-te escriba, estás aqui para relatar, não para te intrometeres nos meus pensamentos”

“desculpe senhor, mas eu avisei na altura, não me quis ouvir”

“Ouvi sim escriba, tanto ouvi que reduzi a velocidade do cometa se não a catástrofe seria ainda maior, ele devia ter batido no meu do atlântico, iria activar a linha vulcânica e apesar dos tremores de terra e da subida do mar iria penas criar uma noite de cinza vulcânica como fiz para os dinossauros, mas a vida continuava, humanos burros”

“Desculpe senhor, mas até achei inteligente usar a lua como escudo, infelizmente estava oca, se não, teria de enviar outro”

“Isso seria impossível, afinal de contas se chocasse com a lua sem ela estar Oca, ela aproximar-se-ia o suficiente da Terra, para que as forças de atracção fizessem com que a terra atrai-se a lua, levando ao desaparecimento da terra e da Lua, mas não falemos mais nisso, vai fazer o teu trabalho! Atenção aqueles dois a 13 e o 66”

 

O Concilio dos Deuses Parte IV

por Pinheirinho, em 10.02.17

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O Criador olhou o planeta, percorreu o seu exterior, depois o interior, sorriu ao ver que o povo Marciano já não eram apenas humanoides peludos, a gigante caverna era agora uma de muitas, criadas por eles, evoluíram ao ponto de que o interior já era pequeno de mais, mas ainda não podiam sair para o exterior.

O criador sorriu uma vez mais, desta vez enquanto desactivava as muitas ogivas que podiam destruir o planeta, activando todas ao mesmo tempo e disparando-as contra o Sol, depois num ato único e belo, elevou à superfície uma grande rocha de Gelo, Gelo puro escondido no pólo Norte, derretendo agora preenchendo o leito do Rio, apenas um pequeno ribeiro depressa será maior, depressa fará um oceano, como já existira antes.

Percorreu de novo as grutas onde um jovem era carregado em ombros, festejavam, achavam que tinha sido aquele jovem a livra-los do perigo eminente.

 

Afastou-se de Marte, não sem antes descarregar toda a informação do Escriba divino em Marte e o rejuvenescer, pois neste momento era o único por lá, agora o tempo fará o resto, que não caiam no mesmo erro, e aproximou-se da terra em convulsões, aqui o trabalho era muito, havia muito para fazer, percorreu mais uma vez a terra com o olhar, existia matéria prima suficiente na terra para usar, desta vez quis fazer diferente do que tinha feito antes, desta vez iria dar forma aos Deuses, ainda não sabia ao certo quantos, continuou a percorrer a terra em busca de pessoas Puras, pessoas limpas de ódios ou maldades, sempre que encontravam um trazia-o para perto de si, vasculhou e vasculhou, por todas as espécies, de todos os sítios, de todas as formas, “Chega!” disse para si mesmo em voz alta, olhou para trás e contou 113, 113 pessoas, a maioria jovens ainda, talvez mesmo demasiado novos para o que queria fazer, devolveu mais uns quantos e voltou a contar, 101, será com estes então que ficarei.

Antes de começar, puxou para trás a Lua, afastando-a da terra o suficiente para as convulsões pararem, pararam os tremores de terra, os vulcões expeliram a ultima lava, a terra acalmou, assim como em Marte, o tempo fará o resto.

Agora estes 101, agora começa a 7ª experiência, vamos ver se estes 101 são matéria suficiente para criar aqui um grupo de Deuses, que trabalhem entre si, que sejam um só na resolução dos problemas, que sejam unidos e percebam que cada um tem o seu papel, o seu lugar, não quero mais falhas como nos anteriores, ou resulta desta vez, ou voltaremos a ter que começar de novo e este planeta já começou de novo vezes de mais.

 

- Sejam bem vindos à minha casa, eu sou o Criador, a minha função é zelar pelo espaço, os seus planetas e os seus seres, e a terra estava a precisar de um limpeza, infelizmente a raça humana e a sua ganancia, fizeram com que uma coisa simples se tornasse, quase, no fim do mundo. – Disse o criador para os presentes assim que rodou a cadeira voltando-se para eles.

Os jovens e menos jovens ficaram a ilhar espantados para aquele enorme ser, a forma era quase a de um humano, nas a pele era transparente, mas em vez de veias, esqueleto e músculos, viam-se linhas de um roxo florescente e pequenas luzes amarelas que desciam e subiam a uma enorme velocidade, os olhos eram fundos e a face fina sobre um pescoço comprido e quase sem nariz ou orelhas, a tapar a face uma enorme e branca barba que chegava até meio do peito, os cabelos eram brancos como a barba e compridos caindo ao longo das costas, a enorme secretária onde se sentava impedia-os de ver mais, mas pelo tamanho da cabeça e mãos devia de medir mais de 4 ou 5 metros de altura.

- Aqui irei ensinar-vos como ser um deus, os melhores serão escolhidos para esse fim, os outros passarão a escribas divinos, seres etéreos, com a capacidade de viajarem no tempo para trás e para a frente, com a função de relatar tudo o que seja relevante, caso eu necessite, quem não quiser nem uma coisa nem outra que o diga!

Os 101 ficaram imóveis, só a olhar para aquele ser enorme, vidrados nele como que hipnotizados.

- Está bem, terão uma semana para responder, desçam este corredor e cada um entre numa porta, a porta que escolhem será o vosso numero, apesar das portas não estarem marcadas, apenas serão marcadas depois de todas as portas fechadas, não quero os vossos nomes, não para já, pois de hoje em diante serão conhecidos pelo vosso numero, Agora vá saiam da minha frente e descansem, terão comida e roupa para vestir nos quartos.

Logo de seguida o Criador levantou-se, era bem maior do que esperavam, ninguém arredou pé, continuavam estáticos a olhar, devia de ter uns 10 metros de altura.

- Vão! Do que é que estão à espera? – disse o Criador indicando com a mão o corredor.

Começaram a levantar-se a medo e lá foram entrando no corredor.

O Concilio dos Deuses PT III

por Pinheirinho, em 07.02.17

 

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A perfuração começou, o solo era mais rijo ali do que onde perfuravam anteriormente, para se fazer um simples túnel na diagonal, foram precisos dias, mais propriamente 8, até que a broca chegou ao túnel, festejou-se por toda a planície de Marte, finalmente algo de bom acontecera, depois da catástrofe na terra os únicos sobreviventes da humanidade podiam encontrar ali, talvez a salvação da espécie humana.

Os cientistas foram rápidos a enviar uma sonda, seguiam pelos ecrãs, desceu a diagonal, chegou ao Túnel e começou a descer e descer e descer, no exterior foram horas de espera, até que o pequeno veiculo chegou a um ponto em que não podia passar mais, tinha a forma de um cone e tapava todo o túnel, um dos cientistas, decidiu porque não se usava o maçarico instalado no veiculo para abrir um buraco, os outros concordaram, até porque iria demorar muito tempo para encontrar uma solução para passar aquele obstáculo.

A sonda começou a perfurar o objecto cónico, a solda de Lunar cortou a chapa como se fosse manteiga, simples e rápido, a sonda retirou a pequena chapa e os cientistas ficaram pálidos, olhavam uns para os outros sem saber o que fazer, não sabiam o que fariam agora, foi o silêncio total.

- Que fumo é aquele Pai! – gritou uma criança a olhar para o fumo que saía do buraco anteriormente escavado.

- Deve ser da Sonda, deve ter encontrado algo.. – Respondeu o pai segurando-a ao colo e apertando-a contra o seu peito.

- Cada vez sai mais fumo, que se passa lá em baixo? – Gritou um dos humanos ao olhar para os cientistas, quietos, imóveis nas suas cadeiras.

O fumo não parava de sair do buraco, era cada vez mais, a gigantesca pedra levantou, um dos cientistas começou a correr, outros seguiram-no, os humanos que olhavam o que se passava olharam para as televisões que emitiam as imagens da sonda.

- Cabrões, nem avisam, CORRAM!!!!! – Gritou o pai da criança, ainda com ela ao colo que começou a correr em direcção à bolha central.

- É uma bomba, é uma bomba, corram, é uma bomba!- Gritava outro.

Correram para todos os lados, passado segundos aquela bomba enorme sai de dentro do túnel e a porta no chão fechou-se, poucos metros depois de subir, virou e caiu a pique, ali mesmo.

Ao explodir, soltou uma onda de choque de tal intensidade que tudo o que estava à superfície de Marte virou pó, nem um único vestígio da raça humana, pó, simplesmente pó, foi tudo o que sobrou.”

O criador olhou para o testo que acabava ali, reparou mais a baixo uma nota do escriba divino.

“A minha missão acaba aqui, à superfície estava um outro escriba, era branco como tudo, magro e disforme, os braços eram maiores que o tronco, as pernas eram encurvadas, parecia ter mais anos do que aqueles para o qual teria direito.

Olhou para mim e disse.

- Desculpa, mas foi inevitável, aquela vossa criação activou uma das bombas hidrogénio, se explodisse no interior teria destruído o planeta, tivemos de o disparar.

- Supostamente, não existiria vida em Marte, como é que ainda aqui estás?

- A vida acabou em Marte, mas apenas à superfície, a guerra entra as super-potências destruiu o nosso planeta, viste o que esta bomba fez? Imagina agora mil a serem disparadas, felizmente, depois de tudo desaparecer, descobri que existia vida, que o criador desconhecia e ainda desconhece, dão pelo nome de Borggers que em língua marciana quer dizer Toupeiras, eram simples animais, que encontraram uma grande caverna no interior do planeta, tem uma luz natural que não é mais umas pequenas lagartas que vivem no tecto da caverna, onde a humidade acumula, essa humidade escoa para um grande lago interior, tem vegetação em abundância, viveram sempre lá, milénios e milénios, evoluindo, quiseram explorar o exterior, mas o que encontraram foi guerra e caos, o mundo exterior autodestrui-se, voltaram para o seu interior e não mais voltaram a sair, tentaram desarmar todas as ogivas, mas não sabiam como, então criaram um sistema de limpeza das mesmas pois perceberam que humidade cria corrosão, dessa forma já foram obrigados a disparar quatro antes que explodissem no interior do planeta o que destruiria o seu mundo. Desculpa.

- Não tens de o fazer, o humano é curioso por natureza, irei acabar os meus relatos e esperar uma nova missão.

Parti dessa forma de Marte, não sem antes explorar aquele mundo novo, humanoides disformes e peludos, viviam da terra, evoluíam a cada dia, daqui a uns quantos milhares de anos sairão do interior e repovoarão o planeta, afinal ainda há esperança para todo este caos, este povo não sobreviveria se o povo dominante do exterior ainda fosse vivo.”

O Concilio dos Deuses PT II

por Pinheirinho, em 03.02.17

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- Aqui mesmo! – Exclamou o Criador.

“Era o ano de 3024 da escala solar, os humanos já habitavam Marte à 5 anos, quando o jovem Alfonse, encontrou uma porta secreta na rocha, andava a brincar com o seu irmão Albert, quando por acidente descobriu enterrada debaixo de uma camada de areia uma porta de pedra, tinha uns símbolos estranhos e um boneco que parecia um anão, começaram os dois a escavar até revelarem a porta por inteiro, ficaram idiotas a olhar para a mesma, uma porta que levava para dentro do chão. Correram ambos até casa e avisaram os anciões da sua tribo.

- Pai, mãe, encontramos uma porta!

- O que faziam lá fora? Não sabem dos perigos que vos esperam lá fora?

- Sabemos mãe, mas encontramos uma porta, bem junto à Bolha 1.

- Aquela rocha feia e disforme?

- Sim pai, essa mesmo! Não é uma rocha é uma porta, com desenhos e tudo.

- Deve de ser aquilo que os nossos cientistas nunca encontraram, a razão pela qual o povo Marciano desapareceu. Vem esposa, vamos avisa-los!

Anciões e crianças correram de casa em casa batendo a todas as portas até chegarem a uma casa maior, quando chegaram várias pessoas os seguiam e o Homem gritou.

- Encontramos o que procuram!

Dois homens vieram a correr até à janela e olharam para a turba de pessoas.

- Os meus miúdos encontraram uma porta no chão junto à Bolha 1.

- Impossível, revistamos toda essa zona, não encontramos nada! – Gritaram os homens da janela.

- Revistaram mal, venham connosco, os miúdos mostram onde está!

Os homens saíram da janela, demoraram um bocado a chegar cá a baixo, traziam umas grandes malas que colocaram num dos carros estacionados à porta e com um gesto de mão indicaram aos miúdos para mostrar o caminho, todos correram atrás dos miúdos, saíram dos limites da cidade, passaram a primeira porta de controlo, colocaram os respiradouros e saíram para o exterior, caminharam até à Bolha 1, uma bolha de vidro enorme onde no seu interior estavam as árvores de fruto.

Seguiram mais uns 100 passos mais ou menos até uma rocha disforme no chão.

Os homens saíram do carro com as suas grandes malas e ficaram estupefactos a olhar para a pedra, continha caracteres estranhos e formas humanoides, o primeiro vestígio de vida inteligente em Marte, colocaram a grande mala no topo da pedra, abriram-na e ligaram-na, a máquina no seu interior tirava fotos em profundidade

Emitindo sons e impulsos magnéticos, os homens que operavam a máquina estavam boquiabertos, existia um túnel, por debaixo daquela porta que ao que tudo indicava pelas leituras teria mais de 2 quilómetros de profundidade, mais porque a máquina não conseguia ver mais do que isso, era apenas aquele buraco, tudo o resto era terra até esses 2 quilómetros.

Pegaram nuns comunicadores que traziam com eles e pediram reforços, grande máquinas perfuradoras, usadas para extracção de minerais essenciais às experiências que faziam no cultivo de plantas e árvores de fruto, mas as máquinas eram lentas e estavam longe, pelo que mais depressa se montaram tendas e novas bolhas à volta e sobre aquele enorme achado, homens corriam por todo o lado, limpavam a porta, procuravam um sentido para os escritos, para as figuras humanoides.

Enquanto se faziam testes atrás de testes, fotografavam a pedra, limpavam, perfuravam até, mas a pedra já partira três brocas de ponta de diamante, os humanos estavam a desesperar, até que a solução chegou, as gigantes máquinas tinham as suas gruas bem por cima da pedra, foram horas a tentar move-las, mas a pedra não mexia, até que um dos cientistas decidiu fazer amais básica das coisas, perfurar na diagonal até ao túnel, passando por debaixo da gigante pedra.

O Concilio dos Deuses PT I

por Pinheirinho, em 01.02.17

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A terra era há muitos anos uma esfera disforme, uma lua partida ameaçava a sua estrutura, constantes terremotos e erupções na terra em convulsões constantes, olhando-a do espaço era apenas uma bola cinzenta, num manto negro, o criador olhava para ela, sabendo que se nada fizesse a vida não sobrevivia nem mais um dia.

Nunca pensou que um pequeno cometa fizesse um dano tão grande, no máximo iria apenas chocar com a terra, uma parte seria destruída sim, mas como fizera com os dinossauros milénios antes, a terra sobreviveria e ficaria limpa de todo o lixo que aos poucos a destruía, mas que parvoíce aquela de colocar a lua em rota de colisão, que parvoíce aquela que fez com que a ganância humana transformassem a lua num escudo oco, sem vida, que sobreviventes teria a terra, pequenos animais claro, necrófagos sobreviventes de outras catástrofes, animais resilientes e sobreviventes por natureza, como lobos, raposas, toupeiras, coelhos e furões e tantos outros mais, mas, por quanto tempo, da outra vez a nuvem de fumo e enxofre durou o suficiente para que os maiores animais morressem à fome e sufocados com a escassez de oxigénio, os outros evoluíram para se adaptar ao ambiente, mas a terra já está assim à mais de 1000 anos, era muito tempo, tempo demais.

O Criador olhou a terra em busca de vida, encontrou várias cidades de humanos protegidas de todo aquele caos, fechados como que dentro de uma bolha, com a sua própria atmosfera, luzes a imitar o sol, vegetação, hortas e árvores de fruto, animais domésticos e outros de criação, bom pensou ele, nem tudo desapareceu, encontrou várias cidades dessas, limpas, livres do caos exterior, outras, nem por isso, outras ficaram em falhas sísmicas, o exterior, contaminou o interior, matou a vegetação e envenenou o ar que respiram, outras ficaram inundadas, outras … não, não, isto não é a raça humana! – Pensou o criador ao ver que numa das bolsas de vida, as pessoas passaram a canibais, mataram e comeram outros sobreviventes, o ar contaminado, fez com que alguns se mutilassem, não tinham narizes nem orelhas, era uma visão feia da humanidade, infelizmente não era a única.

Feio de mais de ver, mas tinha de ser, fora obra sua ter enviado aquele meteorito contra a terra, era algo que tinha de ser feito ou o próprio planeta morreria e sem forma de se regenerar, esta era a única forma, mas agora teria de por mãos à obra, iria fazer como fez das outras vezes, seriam escolhidos 100, iriam ser treinados e testados até ficarem os melhores, os mais puros, os mais perfeitos, dentro da característica de cada um irá ser atribuído o seu destino, mas primeiro à outras coisas a fazer.

 

O Criador dirigiu-se às bases de Marte, para ver como a raça humana sobreviveu no planeta vermelho, um deserto que os humanos quiseram transformar num planeta verde, Marte era um planeta como a terra, ai o Criador não interveio, deixou que o planeta seguisse a sua evolução normal, mas a ganancia destruiu o planeta, secando-o de todos os seus recursos, de tal forma que toda a raça marciana desapareceu não sobrando nenhuma réstia ou essência do seu povo, não à superfície, a evolução e a seca e os ventos solares atiraram os sobreviventes cada vez mais para o seu interior, era nas profundezas de Marte que os últimos marcianos viviam, onde havia água e vegetação, mas as entradas haviam sido seladas à muitos milénios, eram prisioneiros da sua ganância.

 

O Criador procurou e nada encontrou em marte, à superfície não haviam ninguém, nem os vaivéns espaciais lá estavam, procurou-os nos planetas mais próximos e nada encontrou, decidiu desfolhar o tempo para saber o que aconteceu, abriu a galeria do tempo e foi ler os escritos dos escribas divinos.

O Povo da Águia PT IV

por Pinheirinho, em 30.01.17

 

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- Isto não pode ser, não pode, o nosso povo nunca foi de ficar entre muralhas! – gritou o velho Andernot por detrás das suas enormes barbas.

- Sair Agora seria o nosso fim, mas vocês não pensam? Parem de usar apenas os músculos e usem a cabeça para pensar! – gritou em resposta o general Erdinger.

- Concordo, não podemos sair assim enfrentar um inimigo assim só porque ele nos chama, mas somos o quê afinal, crianças? – gritou Malvai, ao levantar-se esmurrando com força a mesa levando muitos do concelho a acenar com a cabeça em concordância.

- Do que é que nos serve ficar aqui afinal? Cobardes a esconderem-se entre muralhas? O Vosso pai já estaria lá fora a mostrar a esses amadores o que é um Homem do Ninho! – Gritou novamente Andernot atirando perdigotos para cima de todos.

- Sim o meu pai ou o meu avô já estariam lá fora, mas também foram eles que perderam o desfiladeiro e o vale das Almas. Eu disse-vos que no inicio da construção devíamos de ter atacado, mas vocês aconselharam que não, que não se devia atacar construtores e homens desarmados, pois bem, não o fizemos e agora vejam o tamanho do exercito deles, é verdade que cada um de nós vale 50 deles, mas não é por isso que vamos sair daqui e combater o inimigo no terreno deles, deixem-nos vir até aqui, assim que chegarem à planície sairemos de entre as muralhas e os combateremos no nosso campo, e ai sim, mostraremos a nossa força. – Gritou o Rei Eric, muitos lhe acenaram com a cabeça, ouvindo-se pela sala palavras como “Isso mesmo”, “Vamos a eles”, “Não valem o ar que respiram”.

- As minhas desculpas meu Rei, mas não devíamos de ser tão ingénuos a esse ponto, nenhum exercito alguma vez passará estas muralhas, são intransponíveis, dentro das nossas muralhas acabaremos com a raça deles! – Disse Erdinger de forma ponderada.

- Tu és é um maricas, um falso General, sabes em quantas batalhas já entrei? Mais de 20 e ainda aqui estou, sempre combatendo cara a cara com os vermes de Edervast, alguma vez me escondi? Nunca!! – Gritou uma vez mais Andernot.

- Não é medo, seu artolas, é pensar nos nosso povo, olha à tua volta camelo, somos cada vez menos, a nossa mania das grandezas de sermos os melhores guerreiros da terra, está a acabar, o Exercito de Edervast é 10 vezes superior ao nosso e isso só o que vemos, somos uma formiga no seu caminho se saímos lá para fora, iremos condenar o nosso povo à extinção! – Gritava agora Erdinger, enquanto Andernot se espumava de raiva e dois homens ao seu lado o agarravam.

- Chega, o Rei decidiu está decidido, iremos enfrentá-los em campo aberto, mas primeiro esperem que eles venham até cá, quero ver a coragem deles para chegar até nós, até às nossas muralhas e ai sairemos e iremos enfrentá-los e não quero mais conversas! – Falou o Rei Eric enquanto se levantava e saía da sala, deixando todos a falar sozinhos.

- Que arrogância, será o nosso fim!

- Que é que disseste maricas! – Gritou Andernot  para Erdinger enquanto lhe tentava esmurrar a cara.

- Senhores, onde está o Rei! – Gritou um guarda da muralha ao entrar na Sala de rompante.

- Que se passa jovem? O Rei Saiu, mas podes dizer! – disse o concelheiro Invall.

- Senhores está uma Criança a atravessar a planície de Sangue na nossa direção, parece ser nossa, senhores!

- O quê? Que é que faz uma criança lá fora, se é nossa porque é que não usa os tuneis? – Gritou Andernot!

- Deixai-a entrar e tragam-na até nós, vamos ver o que ela quer, pode trazer uma mensagem, aqueles Edervastianos são muito estranhos. – disse Invall.

____

 

Donny esperou a chegada da noite, os homens de Edervast, revezavam uma vez mais na frente, Donny reparou que a cada hora que passava, os homens da frente recuavam e outros de trás tomavam as suas posições, avançando depois um passo e cravavam o escudo no chão ao mesmo tempo que gritavam um estrondoso “OH!”, foi numa das revezas que Donny aproveitou para sair da sua toca, descendo rapidamente pelo pequeno desfiladeiro no meio da vegetação, esgueirou-se por trás de uma das casernas de vigia onde cerca de cinco homens se escondiam, sorrateiramente, passou, esgueirando-se depois por entre a vegetação, descendo pelas laterais em busca da entrada para o túnel.

Ao chegar perto viu que os homens de Edervast aguardavam em frente aos mesmos, tinham estado a bloqueá-los com pedras e lanças, quem tentasse sair por ali seria morto, Donny correi para um dos respiradouros do túnel, mas até ai estavam homens de vigia, decidiu então correr o maior dos riscos, teria de atravessar a planície, correu então de rocha em rocha tentando esconder-se o mais possível, assim que acabassem as rochas teria de correr quase mil passos até à primeira torre, sabia que tinha de ter algum avança não fossem os espiões de Edervast estarem perto, sentiu-se seguro quando chegou à ultima rocha, não via nenhum homem nas proximidades, olhou uma vez mais e saiu a correr que nem um doido, ouviu ao longe um, “atrás dele, não o deixem fugir”, “é só uma criança, os vigias da torre não o deixarão com vida”.

E Donny correu como um doido!

 

O Povo da Águia PT III

por Pinheirinho, em 27.01.17

 

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Donny manteve-se o mais quieto e calado possível, estava rodeado de homens de verde, quase invisíveis na vegetação, estava bloqueado e dali não podia sair, teria de esperar que a noite caísse, mas não acreditava que os tropas perfilados no Vale das Lamas dormisse ali, passaram-se duas horas e ninguém se moveu, ficaram apenas imoveis, os que caminhavam por entre a vegetação tinham enviado cerca de metade dos homens para a boca do desfiladeiro para verem as movimentações, Donny apenas os via a correr de um lado para o outro, uns agitavam bandeiras verdes outros agitavam amarelas.

Ouviu-se um grande estrondo, Donny soltou um grito com o susto, felizmente ninguém o ouviu, os batalhões perfilados deram todos um passo ao mesmo tempo cravando de seguida os escudos no chão, mais bandeiras amarelas e verdes a serem agitadas, outro passo, ainda mais barulhento que o anterior. E novamente bandeiras amarelas e verdes a serem agitadas.

Donny pensou nas aulas de táticas de guerra, as suas favoritas com o Mestre Ariannor, até hoje em todas as batalhas contra os Reis de Edervast, as bestas Lupinos, ou os exércitos de mortos vivos do deus Kaskade, nunca o povo da Águia perdeu uma batalha, costuma sair de encontro ao seu inimigo, ali mesmo no Vale das Almas e ali, combate-los frente a frente em terreno aberto, mas há muito que o Mestre Ariannor lhe tida dito que desde a tomada do desfiladeiro Trunn, que os as ordens são outras, deixaram de os enfrentar no vale das almas, agora se querem combater que venham até à planície de Sangue onde a enorme muralha se ergue.

Donny apesar de ter apenas 7 anos e lhe faltar 1 ano para viajar para o Circulo da floresta, sabe que os Reis de Edervast não cairão nessa cilada, conhecem as histórias sobre o Ninho, há quem diga que até conhecem a arquitetura dos mesmos, sabem os seus pontos fracos e fortes e conhecem o sistema de tuneis, dai os homens com as bandeiras, deve ser a forma que arranjaram para ver quando os espiões saem para ver o que se passa, os homens não comunicam, depois todo aquele barulho, de certeza que é isso, estão a estudar de onde saem os homens, por esta altura o Rei Eric já deve ter mandado fechar as entradas para os tuneis, ou então prepara-se para sair de entre a proteção da muralha e vir lutar contra o inimigo em campo aberto.

As horas passavam-se, a sua mãe já devia de estar preocupada, tinha fome e sede, mas tinha medo de se mexer, seria visto e facilmente capturado e a noite nunca mais vinha, teria de usar o túnel externo o mini túnel que servia de respiradouro que a sua mãe um dia lhe mostrou, mas não estava fácil, a cada 5 minutos davam um passo firme e forte, ecoando por todo o vale, ao longe ouviu o som de um corno, este era o som de aviso aos inimigos, os exércitos iriam sair de entre as muralhas, um erro crasso, pensou Donny.

Agitaram-se bandeiras vermelhas e os homens revezaram-se os que estavam na frente recuaram e vieram outros para a frente, esses empunhavam lanças duas vezes maiores do que eles, mas só se via a ponta em frente ao escudo, os homens de verde nas colinas eram agora muitos mais do que aqueles que à pouco via, estavam bem camuflados, pensou ele, ao ver que todos tinham arcos e flechas pronta a disparar, os homens da Águia iriam cair numa cilada, devem ter estado a perguntar aos vigias o que se passava e quem respondia era o inimigo dando respostas contrárias, temia pelo seu povo, tinha mesmo de fazer qualquer coisa e rápido!

O povo da Águia PTII

por Pinheirinho, em 23.01.17

O Povo da Águia PT II

 

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Donny, mais uma vez fugira à escola, não gostava dos professores, nem dos colegas, gozavam com ele por ser diferente e nem sempre lhe davam a devida atenção, por isso fugia e passando o labirinto de túneis saia de entre a protecção das muralhas até ao sopé do Monte Krivel, depois subia pelo trilho da vigia e vinha ter com os guardas avançados nos seus postos de vigia ao longo da encosta.

Era ali entre os guardas que se sentia bem, ali tratavam-no bem, não percebia porquês, pois mais ninguém gostava dele, nem dele nem da sua mãe Magda, que vivia sozinha desde sempre.

- Lá vem o chato! – Disse Monocäer ao vê-lo chegar.

- Olá, posso ficar aqui de vigia com vocês?

- Podes pequenos, mas nada de conversas, que hoje dentro da barragem andam com muita movimentação.

O Ninho da Águia além das suas altas muralhas em forma de U, tinham também outras defesas, além de um intrincado sistema de subterrâneos que davam para várias saídas no sopé do Monte Krivel, e outras na planície de Sangue, assim chamada devido à cor alaranjada da mesma, tinha ainda um sistema de vigias ao longo da encosta que dava para o Vale da Glória, Vale esse que terminava no Desfiladeiro das Almas, onde hoje se erguia imponente a Fortaleza da Barragem, uma obra gigantesca com uma muralha circular de forma a esconder as entradas que se situavam nas laterais, as muralhas exteriores têm uma série de espigões de aço, os homens da Águia costumam brincar sobre isso, dizendo que não é a melhor das ideias visto que se os exércitos formarem em frente à fortaleza, se o atacante pressionar forte e os obrigar a recuar, uns quantos serão mortos pela própria muralha, mas talvez não seja assim tão fácil, por toda a amurada estão montados uma série de trabuques e acredita-se que existam mais no interior, a unir os dois desfiladeiros ergue-se uma enorme torre, quase se fundindo nos dois, escondendo dos homens da águia o seu real tamanho.

Donny olhava a muralha em busca de algo, à dias ajudou os homens pois conseguiu ver movimento nas encostas, um grupo de 4 batedores haviam saído da Barragem pela calada da noite, completamente vestidos de negro e no maior dos silêncios, mesmo assim Donny conseguiu ver movimento, que os homens usando o sistema de comunicações avisaram os companheiros na vigia mais próxima que os caçou sem feridos ou barulho, infelizmente nenhum dos inimigos sabia de nada, apenas tinham ordens para observar as defesas do Ninho.

Hoje enquanto Donny olhava a fortaleza parecia um dia como qualquer outro, tirando o barulho que vinha da mesma.

- “Os portões estão a abrir!” ouviu-se no intercomunicador.

- “Estão armados para combate, estou a avistar o primeiro batalhão, Lança escudo e espada.”

- “Deste lado também”

- Vai para a muralha Donny! – Disse Monocaër, colocando-lhe o braço no ombro.

- Mas…

- Vai já!

Donny saiu a correr, desceu rapidamente o desfiladeiro e entrou no labirinto do subsolo em direcção ao Ninho, depois parou, ficou a olhar e decidiu voltar para trás. Entrou numa outra parte do labirinto, saiu por uma outra porta, voltou a subir a encosta, só que desta vez foi antes para as antigas vigias, hoje apenas buracos abandonados, mas que lhe dariam uma visão perfeita do vale das almas e proteção contra o inimigo, ficou bem quieto deitado no chão a olhar.

Neste momento já estavam uns 6 batalhões no exterior e mais outros saiam de entre as muralhas pelas suas portas laterais, estavam dispostos em quadrados de 150 homens, assim que os dois primeiros batalhões chegaram a meio do vale pararam e fincaram com força os escudos no chão. Outros batalhões foram formando fazendo exactamente a  mesma coisa.

Donny via movimentações na encosta, havia homens a descer pela mesma, estavam camuflados como os outros que vira da outra vez, quase indistintos da vegetação, Donny ia gritar para os vigias, mas passaram dois pés mesmo ao seu lado, não o viram, continuaram a descer, mais outro e mais outro, ficou o mais quieto possível, no outro lado do vale onde à pouco estava os dois vigias lutavam contra aquela turba de homens de verde, tendo sido rapidamente eliminados, Donny quis chorar, mas o barulho iria chamar a atenção pois homens continuavam a descer a encosta e tomar posições nas vigias e ao lado das mesmas, tendo neste momento acesso a todas as comunicações, tinha de avisar alguém, rápido!

O Povo da Águia Pt I

por Pinheirinho, em 12.01.17

 

No planalto de Roskard foi construída a maior muralha já edificada pelo homem, com a ajuda dos povos da floresta, os eternos Nectarianos e os humanos livres construíram o Ninho da Águia, uma gigantesca fortaleza com as muralhas em U que tapavam a única passagem entre as terras de Edervast e a floresta proibida, um local único e mágico no centro a grande árvore e o seu Nectar, quem dele bebe torna-se imortal, ou quase, os anos passam à mesma mas numa contagem diferente, cada ano de vida de um Nectariano equivale a 20 anos na vida de um mortal, a sua pele fica mais dura, o seu corpo fica maior e mais alongado, fica com uma força 10 vezes maior, mas isso só no inicio, nos primeiros 200 anos, depois vai ficando mais lento e mais parecido com uma árvore, quem bebe do se néctar também é conhecido como arbóreos.

Este povo sábio ao ver a ganancia dos homens em relação ao néctar decidiu que apenas os mais justos e merecedores tenham acesso ao mesmo, por isso construíram o Ninho da Águia para criar esse tampão e desde que foi construído viu enumeras batalhas, infindáveis conflitos, todos querem ter acesso ao néctar, todos querem beber da sua fonte, todos querem ser imortais, todos não, passo a explicar.

 

À muitos séculos atrás, ainda os deuses eram jovens Vallina a Deusa da pureza,  saúde e da esperança andou pelo mundo à procura das Arcas, com ela viajavam 2 deuses e 4 semideuses, Werdénia, a Deusa da floresta, Giorgianna, Deusa do passado, os Semideuses, Vollovina, criada pelo Deus da criação como protetora de Vallina, é invisível quando quer viajando através do vento, Develin o protetor, era também o mensageiro dos Deuses, Arkannon o mais letal dos guerreiros, o seu corpo disforme e monstruoso enche qualquer coração de medo e Sirdvar, tem o dom de atravessar paredes, entra em qualquer sitio sem precisar de porta.

Juntos palmilharam a terra em busca das Arcas, muitas estavam intactas, outras nem por isso e as pequenas rachas criaram estranhos humanoides, outras foram destruídas, mas quando encontraram aquelas a que chamaram a estrela de vida apressaram-se a abrir as Arcas, a estrela eram 5 Arcas colocadas frente a frente, os humanos que saíram do seu interior estavam perfeitos, evoluíram de forma perfeita, ficaram contentes com o achado, nos dias que se passaram dos 5 quatro quiseram abandonar aquela zona e povoar a terra, aquela terra chamou-se Edervast. Os outros 4 grupos foram-se separando cada um deles acompanhados por um Semideus e uma Deusa, Vallina acompanhou 2 grupos em busca da costa, Georgianna levou um para as terras perto do seu palácio e Werdénia levou outro em busca da Floresta, todos chegaram ao seu destino sem problemas, apenas o grupo de Werdénia e Arkannon se perderam na sua busca, o povo tinha fome, caminhavam à dias, Werdénia alimentou-os de bagas e raízes, mas não chegava, queriam mais, Werdénia sentiu-se perdida, não era ali que estava a floresta ali era um deserto, tinham escalado as montanhas de Edervast a descida foi complicada e agora atravessavam um deserto árido e sem nada para beber ou comer.

Uma jovem caiu e faleceu devido à fome e sede, werdénia começou a chorar compulsivamente, cada lágrima dela fazia brotar vegetação, olhou à sua volta e sem que Arkannon a pudesse impedir cortou os pulsos deixando o seu sangue escorrer para o chão, ali mesmo nasceu a grande árvore e a sua seiva que alimentou toda a gente, Werdénia também bebeu o seu néctar, esteve dias em coma, mas salvou o povo e criou uma floresta inteira, desde esse dia esse povo vive junto à arvore nas fortaleza do Circulo da Floresta, o último bastião entre a árvore sagrada e a ganancia dos humanos.

Nos dias que se passaram Werdénia descobriu que metade dos humanos não beberam o Néctar, com a floresta a brotar daquela forma continuaram a alimentar-se de bagas e raízes, não percebeu o porquê, não fazia sentido, decidiu questionar um dos humanos, era o mais velho de todos supôs ser o líder.

- Porque é que não beberam o Néctar?

- Porque não quisemos, havia água, havia rebentos, havia bagas, foi mais do que o suficiente, além de que o Néctar tem um cheiro estranho.

Werdénia riu com a careta que o humano fez, já tinha reparado que o Néctar tinha efeitos secundários, quem o tomou estava mais forte, mas ao mesmo tempo mais sábio, durantes dias trabalhou com esses mais sábios na busca de uma forma de beber o Néctar sem ser na sua forma bruta, para durar mais tempo e desde esse dia o povo Nectariano nasceu e aprendeu que as crianças não o podem tomar, param de crescer, só se pode tomar o Néctar depois de fazer os 25 anos, quem não bebeu de inicio bebeu depois quando chegou a Velho, criaram uma comunidade sã e pura e muito inteligente, criaram a Fortaleza da Floresta, uma fortaleza circular com 5 anéis de muralhas, a única forma de entrar é por uma das 4 portas subterrâneas cheias de armadilhas e caminhos traiçoeiros, a vegetação cresce entre muralhas e tapando-as tornando-a quase invisível, mas depois de vários ataques à mesma os Nectarianos tiveram a mais brilhante das ideias, criar uma muralha tapando o único caminho entre Edervast e a Floresta, e assim colocaram mãos à obra e construíram o Ninho da Águia, dando essa Fortaleza aos povos livres.

Durante séculos assim tem sido, os jovens vão para o Circulo Verde, nome dado pelos humanos à Fortaleza da Floresta, treinar com os melhores professores, tanto no ensino da escrita e leitura, assim como matemáticas, história e a arte da guerra.

Quando regressa ao Ninho são já exímios guerreiros, fortes e dedicados e alimentados pela força do substrato de Néctar, todos os efeitos positivos, nenhum dos negativos, não são imortais, envelhecem, apenas mais devagar, são mais fortes e ágeis e altos, mas não viram arbóreos.

Até aos dias de hoje apenas uma armada chegou às muralhas brancas do Ninho. Para isso teve de passar as planícies da Glória, conquistando-as ao fim de 25 anos de batalhas, chegaram às planícies do Ninho, mas as tropas da Águia expulsaram-no de novo da sua planície recuando até ao desfiladeiro de Trunn, hoje a sombra negra da Barragem, a fortaleza circular criada pelo povo de Edervast, paira sobre o ninho a sua construção está concluída à 2 anos e nesse tempo Lars o Negro Rei de Edervast prepara o seu ataque final.

As Crónicas do Novo Mundo

por Pinheirinho, em 12.01.17

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O meu nome é Ardiguer, sou um dos 50 escolhidos para o concilio dos deuses, história essa que ficará para mais tarde, não fui um dos seleccionados para o grande prémio, a grande honra, ser um deus, essa honra coube a 10 dos 50 escolhidos, foram eles que moldaram a terra de modo a que os humanos pudessem voltar, os restantes passaram a ser os olhos do criador, a nossa função é relatar tudo o que acontece, temos o dom único de andar para trás e para a frente no tempo sem nunca intervir, somos como almas penadas a vaguear pelo tempo e espaço.

A minha família veio de um país que anteriormente se chamou Escócia, mas não sei o que é ser escocês, nunca lá vivi, nasci dentro de uma Arca da vida, vivi lá até aos meus 16 anos até ao dia em que fui escolhido para o concilio, conheço a Escócia as suas histórias já visitei a ilha, hoje bem diferente do que era, talvez devido às histórias que ouvia em miúdo sempre vivi apaixonado pelo homem comum que se torna uma lenda, procuro-os na vastidão do meu tempo na busca de os escrever para mostrar ao criador que há esperança, vontade e coragem nos humanos.

 

A terra de hoje é muito diferente da de outrora, não existem países nem nada é como era, a terra é hoje uma esfera disforme, com um satélite natural partido ao meio, a ganancia humana transformou a Lua num objecto oco, depois um meteorito fez o resto e partiu a Lua 3 grandes pedaços, dois ficaram a orbitar a terra quase a chocarem um contra o outro, ao passo que o terceiro pedaço caiu na terra, numa parte do planeta anteriormente chamada de Continente Americano, a terra saiu da sua órbita, o nível da água subiu 50 metros, mas antes varreu toda a terra em gigantescas ondas, tremores de terra que duraram semanas, vulcões que arderam incessantemente, nada sobre a terra sobreviveu.

Nada sobre, porque no seu interior foram construídas as Arcas de Vida, Cidades auto suficientes que albergavam cada uma 50 famílias, foram construídas pelos governos usando a ideia das cidades que se construíam em Marte, mas aqui colocaram-nas a mais de 1 quilometro de profundidade, cada país tinha várias e apenas para pessoas seleccionadas, médicos, cientistas, professores, engenheiros, pessoas que ao fim de 100 anos podiam povoar a terra novamente e com conhecimento para tal, mas ninguém quis ficar fechado 100 anos numa cidade subterrânea, as portas teriam de ser fechadas 6 meses antes do embate do meteorito com a terra, os cálculos previam que a lua iria estar à frente do meteorito, que serviria de escudo e nada aconteceria à terra, os ricos e poderosos ignoraram as arcas, os pobres e os menos crentes na ideia de que a nada acontecia voluntariaram-se e esses sobreviveram, não sei ao certo quantos anos foram, não posso viajar para trás para além do dia em que passei a escriba do Criador, mas fazendo contas de cabeça passaram-se pelo menos 2 mil anos, 2 mil anos de evolução dentro de uma cidade subterrânea que deveria ser aberta ao fim de 100, acreditem, nem todas as Arcas ficaram intactas, nem todos evoluíram de maneira igual, mas essas são histórias para ir contando.

Bem vindos ao Novo Mundo, estas são as suas Crónicas.

Ardiguer o Escriba do Criador. 

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