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Crónicas do Novo Mundo

Depois de séculos de escuridão, os sobreviventes da grande catástrofe emergem das Arcas de Vida, gerações e gerações depois os humanos voltam a caminhar na terra, que se abram as portas do novo mundo!

Crónicas do Novo Mundo

Depois de séculos de escuridão, os sobreviventes da grande catástrofe emergem das Arcas de Vida, gerações e gerações depois os humanos voltam a caminhar na terra, que se abram as portas do novo mundo!

O Concilio dos Deuses PT V

Fevereiro 17, 2017

Pinheirinho

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Chamados a uma enorme sala, ao fim da primeira semana, onde aproveitaram para se ambientar e se conhecerem melhor, alguns reclamaram pelos números recebidos, outros fizeram uma enorme festa, outros reclamaram das vestes, outros apaixonaram-se, outros ficaram com medo de amar, outros descobriram outras pessoas e pessoas com quem falar.

Pode parecer estranho mas daqueles 101 ao fim de uma semana ninguém quis desistir, leram nos livros que tinham na cabeceira da cama as regras, o que implicava ser um ou outro, ou nada, apesar de alguns o temerem, em conversas uns com os outros todos quiseram ficar.

 

Quando transmitiram essa informação ao criador, ele sorriu e entre esse mesmo sorriso disse, “Então amanhã começamos, ao fim do primeiro ciclo de testes iremos ter uma avaliação e assim sucessivamente até ter o que procuro, boa sorte a todos!”

 

Nos dias que se seguiram passaram horas fechados numa sala completamente branca, sem janelas, apenas secretárias brancas, cadeiras brancas, até o quadro na parede era branco, eram-lhes dados teste em que apenas tinham de escolher 1 de 2 objectos, sendo que o teriam de fazer de modo instintivo, mais do que 3 segundos na escolha e já não podiam escolher.

Outras vezes aparecia apenas a imagem do criador, que lhes falava durante horas sobre os assuntos do universo, alguns acabavam por adormecer, outros tentavam interromper para questionar, algo que se tornava impossível.

Comer, dormir, aulas, comer, aulas, comer, dormir e repete, dias e mais dias e mais dias, ao fim do que lhes pareceu mais de um ano, o Criador os chamou à sala de controlo para onde no inicio tinham sido transportados.

- Olá, há muito que não vos via, quanto tempo foi, um mês? Dois? Perdi a conta.

- Bom, isso não importa nada, já tenho o resultado dos vossos primeiros testes, parecem idiotas eu sei, que escolher entre uma uva e uma laranja? Decisão difícil, mas podem ter a certeza que é muito importante para conhecer a fundo o vosso carácter humano.

- Posto isto, passemos aos resultados, sempre que eu chamar um dos vossos números, por favor desloquem-se para o lado direito da sala.

- Irei chamar não por notas, mas por ordem numérica, do 1 ao 11, do 17 ao 54, do 60 ao 65, 68, 71, do 73 ao 90, 94 ao 101.

- Aos restantes os meus parabéns, foram os melhores deste primeiro Ciclo.

- E qual de nós foi o melhor? – Perguntou o 66.

- Isso é irrelevante, também não direi quem foi o pior, sabem que este primeiro ciclo incluía apenas a parte psicológica de cada um, posso por exemplo dar-te um pequeno exemplo, em alguns casos a resposta certa era não escolher nada, nesses casos dei como tempo mais do que os 3 segundos, para ter a certeza que seriam feitas as escolhas certas e não por tempo, sabem quantos responderam a essas certas? Quem está aqui à minha esquerda, está aqui alguém que nunca conseguiu escolher nenhum dos objectos.

Todos riram, o 8 deu um passo em frente e disse.

- Como posso eu escolher entre uma coisa e outra? A maioria das coisas nunca tinha visto na vida, podiam ter vidas, o que aconteceria aquele que não escolho, seria extinto? O quê? Não posso escolher uma de duas, ou escolho as duas ou nenhuma!

A sala encheu-se de um riso cada vez mais estridente, a jovem corou e baixou a cabeça de vergonha, o criador colocou-lhe o dedo debaixo do queixo e fe-la olhar para ele.

Deixa-os rir 8 foi a melhor coisa que já ouvi, tens toda a razão, há coisas pelas quais não podemos escolher uma em função de outra, tudo tem um equilíbrio.

- Agora terão uma semana de férias antes de começar o segundo ciclo, façam o que quiserem explorem o planeta, sim, estamos num planeta, já conhecem os nossos jardins?

Dito isto abriram-se duas gigantescas portas mesmo atrás deles que davam para um jardim que ia até à linha do horizonte.

 

O criador olhou-os enquanto saiam a ultima foi a 8 que ia mais devagar e cabisbaixa.

- Aida? – Chamou o criador.

- Sim mestre! – Respondeu a 8, voltando-se para trás rodando os seus longos cabelos vermelhos.

- Parece que fiz bem em ficar contigo aqui, podes ser a mais nova de todos, mas gosto da tua pureza, nunca a percas!

- Não mestre, na nossa cidade fomos ensinados a amar todas as espécies, tudo o que a terra nos dava, apesar do pouco que tínhamos, dividíamos com todos, pode ser pouco, mas tinha de dar para todos.

- Eu sei Aida, agora vai, boa sorte para o próximo ciclo!

 

A jovem saiu da sala transpondo as enormes portas que se fecharam atrás dela, o criador ficou a sorrir e pensou em voz alta.

“Afinal ainda há esperança para a raça humana, talvez me tenha precipitado um pouco, mas também quem é que adivinhava que iriam por a Lua oca à frente do cometa!”

“Tem razão senhor, quem é que podia suspeitar de uma coisa dessas”

“Cala-te escriba, estás aqui para relatar, não para te intrometeres nos meus pensamentos”

“desculpe senhor, mas eu avisei na altura, não me quis ouvir”

“Ouvi sim escriba, tanto ouvi que reduzi a velocidade do cometa se não a catástrofe seria ainda maior, ele devia ter batido no meu do atlântico, iria activar a linha vulcânica e apesar dos tremores de terra e da subida do mar iria penas criar uma noite de cinza vulcânica como fiz para os dinossauros, mas a vida continuava, humanos burros”

“Desculpe senhor, mas até achei inteligente usar a lua como escudo, infelizmente estava oca, se não, teria de enviar outro”

“Isso seria impossível, afinal de contas se chocasse com a lua sem ela estar Oca, ela aproximar-se-ia o suficiente da Terra, para que as forças de atracção fizessem com que a terra atrai-se a lua, levando ao desaparecimento da terra e da Lua, mas não falemos mais nisso, vai fazer o teu trabalho! Atenção aqueles dois a 13 e o 66”

 

O Concilio dos Deuses Parte IV

Fevereiro 10, 2017

Pinheirinho

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O Criador olhou o planeta, percorreu o seu exterior, depois o interior, sorriu ao ver que o povo Marciano já não eram apenas humanoides peludos, a gigante caverna era agora uma de muitas, criadas por eles, evoluíram ao ponto de que o interior já era pequeno de mais, mas ainda não podiam sair para o exterior.

O criador sorriu uma vez mais, desta vez enquanto desactivava as muitas ogivas que podiam destruir o planeta, activando todas ao mesmo tempo e disparando-as contra o Sol, depois num ato único e belo, elevou à superfície uma grande rocha de Gelo, Gelo puro escondido no pólo Norte, derretendo agora preenchendo o leito do Rio, apenas um pequeno ribeiro depressa será maior, depressa fará um oceano, como já existira antes.

Percorreu de novo as grutas onde um jovem era carregado em ombros, festejavam, achavam que tinha sido aquele jovem a livra-los do perigo eminente.

 

Afastou-se de Marte, não sem antes descarregar toda a informação do Escriba divino em Marte e o rejuvenescer, pois neste momento era o único por lá, agora o tempo fará o resto, que não caiam no mesmo erro, e aproximou-se da terra em convulsões, aqui o trabalho era muito, havia muito para fazer, percorreu mais uma vez a terra com o olhar, existia matéria prima suficiente na terra para usar, desta vez quis fazer diferente do que tinha feito antes, desta vez iria dar forma aos Deuses, ainda não sabia ao certo quantos, continuou a percorrer a terra em busca de pessoas Puras, pessoas limpas de ódios ou maldades, sempre que encontravam um trazia-o para perto de si, vasculhou e vasculhou, por todas as espécies, de todos os sítios, de todas as formas, “Chega!” disse para si mesmo em voz alta, olhou para trás e contou 113, 113 pessoas, a maioria jovens ainda, talvez mesmo demasiado novos para o que queria fazer, devolveu mais uns quantos e voltou a contar, 101, será com estes então que ficarei.

Antes de começar, puxou para trás a Lua, afastando-a da terra o suficiente para as convulsões pararem, pararam os tremores de terra, os vulcões expeliram a ultima lava, a terra acalmou, assim como em Marte, o tempo fará o resto.

Agora estes 101, agora começa a 7ª experiência, vamos ver se estes 101 são matéria suficiente para criar aqui um grupo de Deuses, que trabalhem entre si, que sejam um só na resolução dos problemas, que sejam unidos e percebam que cada um tem o seu papel, o seu lugar, não quero mais falhas como nos anteriores, ou resulta desta vez, ou voltaremos a ter que começar de novo e este planeta já começou de novo vezes de mais.

 

- Sejam bem vindos à minha casa, eu sou o Criador, a minha função é zelar pelo espaço, os seus planetas e os seus seres, e a terra estava a precisar de um limpeza, infelizmente a raça humana e a sua ganancia, fizeram com que uma coisa simples se tornasse, quase, no fim do mundo. – Disse o criador para os presentes assim que rodou a cadeira voltando-se para eles.

Os jovens e menos jovens ficaram a ilhar espantados para aquele enorme ser, a forma era quase a de um humano, nas a pele era transparente, mas em vez de veias, esqueleto e músculos, viam-se linhas de um roxo florescente e pequenas luzes amarelas que desciam e subiam a uma enorme velocidade, os olhos eram fundos e a face fina sobre um pescoço comprido e quase sem nariz ou orelhas, a tapar a face uma enorme e branca barba que chegava até meio do peito, os cabelos eram brancos como a barba e compridos caindo ao longo das costas, a enorme secretária onde se sentava impedia-os de ver mais, mas pelo tamanho da cabeça e mãos devia de medir mais de 4 ou 5 metros de altura.

- Aqui irei ensinar-vos como ser um deus, os melhores serão escolhidos para esse fim, os outros passarão a escribas divinos, seres etéreos, com a capacidade de viajarem no tempo para trás e para a frente, com a função de relatar tudo o que seja relevante, caso eu necessite, quem não quiser nem uma coisa nem outra que o diga!

Os 101 ficaram imóveis, só a olhar para aquele ser enorme, vidrados nele como que hipnotizados.

- Está bem, terão uma semana para responder, desçam este corredor e cada um entre numa porta, a porta que escolhem será o vosso numero, apesar das portas não estarem marcadas, apenas serão marcadas depois de todas as portas fechadas, não quero os vossos nomes, não para já, pois de hoje em diante serão conhecidos pelo vosso numero, Agora vá saiam da minha frente e descansem, terão comida e roupa para vestir nos quartos.

Logo de seguida o Criador levantou-se, era bem maior do que esperavam, ninguém arredou pé, continuavam estáticos a olhar, devia de ter uns 10 metros de altura.

- Vão! Do que é que estão à espera? – disse o Criador indicando com a mão o corredor.

Começaram a levantar-se a medo e lá foram entrando no corredor.

O Concilio dos Deuses PT I

Fevereiro 01, 2017

Pinheirinho

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A terra era há muitos anos uma esfera disforme, uma lua partida ameaçava a sua estrutura, constantes terremotos e erupções na terra em convulsões constantes, olhando-a do espaço era apenas uma bola cinzenta, num manto negro, o criador olhava para ela, sabendo que se nada fizesse a vida não sobrevivia nem mais um dia.

Nunca pensou que um pequeno cometa fizesse um dano tão grande, no máximo iria apenas chocar com a terra, uma parte seria destruída sim, mas como fizera com os dinossauros milénios antes, a terra sobreviveria e ficaria limpa de todo o lixo que aos poucos a destruía, mas que parvoíce aquela de colocar a lua em rota de colisão, que parvoíce aquela que fez com que a ganância humana transformassem a lua num escudo oco, sem vida, que sobreviventes teria a terra, pequenos animais claro, necrófagos sobreviventes de outras catástrofes, animais resilientes e sobreviventes por natureza, como lobos, raposas, toupeiras, coelhos e furões e tantos outros mais, mas, por quanto tempo, da outra vez a nuvem de fumo e enxofre durou o suficiente para que os maiores animais morressem à fome e sufocados com a escassez de oxigénio, os outros evoluíram para se adaptar ao ambiente, mas a terra já está assim à mais de 1000 anos, era muito tempo, tempo demais.

O Criador olhou a terra em busca de vida, encontrou várias cidades de humanos protegidas de todo aquele caos, fechados como que dentro de uma bolha, com a sua própria atmosfera, luzes a imitar o sol, vegetação, hortas e árvores de fruto, animais domésticos e outros de criação, bom pensou ele, nem tudo desapareceu, encontrou várias cidades dessas, limpas, livres do caos exterior, outras, nem por isso, outras ficaram em falhas sísmicas, o exterior, contaminou o interior, matou a vegetação e envenenou o ar que respiram, outras ficaram inundadas, outras … não, não, isto não é a raça humana! – Pensou o criador ao ver que numa das bolsas de vida, as pessoas passaram a canibais, mataram e comeram outros sobreviventes, o ar contaminado, fez com que alguns se mutilassem, não tinham narizes nem orelhas, era uma visão feia da humanidade, infelizmente não era a única.

Feio de mais de ver, mas tinha de ser, fora obra sua ter enviado aquele meteorito contra a terra, era algo que tinha de ser feito ou o próprio planeta morreria e sem forma de se regenerar, esta era a única forma, mas agora teria de por mãos à obra, iria fazer como fez das outras vezes, seriam escolhidos 100, iriam ser treinados e testados até ficarem os melhores, os mais puros, os mais perfeitos, dentro da característica de cada um irá ser atribuído o seu destino, mas primeiro à outras coisas a fazer.

 

O Criador dirigiu-se às bases de Marte, para ver como a raça humana sobreviveu no planeta vermelho, um deserto que os humanos quiseram transformar num planeta verde, Marte era um planeta como a terra, ai o Criador não interveio, deixou que o planeta seguisse a sua evolução normal, mas a ganancia destruiu o planeta, secando-o de todos os seus recursos, de tal forma que toda a raça marciana desapareceu não sobrando nenhuma réstia ou essência do seu povo, não à superfície, a evolução e a seca e os ventos solares atiraram os sobreviventes cada vez mais para o seu interior, era nas profundezas de Marte que os últimos marcianos viviam, onde havia água e vegetação, mas as entradas haviam sido seladas à muitos milénios, eram prisioneiros da sua ganância.

 

O Criador procurou e nada encontrou em marte, à superfície não haviam ninguém, nem os vaivéns espaciais lá estavam, procurou-os nos planetas mais próximos e nada encontrou, decidiu desfolhar o tempo para saber o que aconteceu, abriu a galeria do tempo e foi ler os escritos dos escribas divinos.

O Povo da Águia PT IV

Janeiro 30, 2017

Pinheirinho

 

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- Isto não pode ser, não pode, o nosso povo nunca foi de ficar entre muralhas! – gritou o velho Andernot por detrás das suas enormes barbas.

- Sair Agora seria o nosso fim, mas vocês não pensam? Parem de usar apenas os músculos e usem a cabeça para pensar! – gritou em resposta o general Erdinger.

- Concordo, não podemos sair assim enfrentar um inimigo assim só porque ele nos chama, mas somos o quê afinal, crianças? – gritou Malvai, ao levantar-se esmurrando com força a mesa levando muitos do concelho a acenar com a cabeça em concordância.

- Do que é que nos serve ficar aqui afinal? Cobardes a esconderem-se entre muralhas? O Vosso pai já estaria lá fora a mostrar a esses amadores o que é um Homem do Ninho! – Gritou novamente Andernot atirando perdigotos para cima de todos.

- Sim o meu pai ou o meu avô já estariam lá fora, mas também foram eles que perderam o desfiladeiro e o vale das Almas. Eu disse-vos que no inicio da construção devíamos de ter atacado, mas vocês aconselharam que não, que não se devia atacar construtores e homens desarmados, pois bem, não o fizemos e agora vejam o tamanho do exercito deles, é verdade que cada um de nós vale 50 deles, mas não é por isso que vamos sair daqui e combater o inimigo no terreno deles, deixem-nos vir até aqui, assim que chegarem à planície sairemos de entre as muralhas e os combateremos no nosso campo, e ai sim, mostraremos a nossa força. – Gritou o Rei Eric, muitos lhe acenaram com a cabeça, ouvindo-se pela sala palavras como “Isso mesmo”, “Vamos a eles”, “Não valem o ar que respiram”.

- As minhas desculpas meu Rei, mas não devíamos de ser tão ingénuos a esse ponto, nenhum exercito alguma vez passará estas muralhas, são intransponíveis, dentro das nossas muralhas acabaremos com a raça deles! – Disse Erdinger de forma ponderada.

- Tu és é um maricas, um falso General, sabes em quantas batalhas já entrei? Mais de 20 e ainda aqui estou, sempre combatendo cara a cara com os vermes de Edervast, alguma vez me escondi? Nunca!! – Gritou uma vez mais Andernot.

- Não é medo, seu artolas, é pensar nos nosso povo, olha à tua volta camelo, somos cada vez menos, a nossa mania das grandezas de sermos os melhores guerreiros da terra, está a acabar, o Exercito de Edervast é 10 vezes superior ao nosso e isso só o que vemos, somos uma formiga no seu caminho se saímos lá para fora, iremos condenar o nosso povo à extinção! – Gritava agora Erdinger, enquanto Andernot se espumava de raiva e dois homens ao seu lado o agarravam.

- Chega, o Rei decidiu está decidido, iremos enfrentá-los em campo aberto, mas primeiro esperem que eles venham até cá, quero ver a coragem deles para chegar até nós, até às nossas muralhas e ai sairemos e iremos enfrentá-los e não quero mais conversas! – Falou o Rei Eric enquanto se levantava e saía da sala, deixando todos a falar sozinhos.

- Que arrogância, será o nosso fim!

- Que é que disseste maricas! – Gritou Andernot  para Erdinger enquanto lhe tentava esmurrar a cara.

- Senhores, onde está o Rei! – Gritou um guarda da muralha ao entrar na Sala de rompante.

- Que se passa jovem? O Rei Saiu, mas podes dizer! – disse o concelheiro Invall.

- Senhores está uma Criança a atravessar a planície de Sangue na nossa direção, parece ser nossa, senhores!

- O quê? Que é que faz uma criança lá fora, se é nossa porque é que não usa os tuneis? – Gritou Andernot!

- Deixai-a entrar e tragam-na até nós, vamos ver o que ela quer, pode trazer uma mensagem, aqueles Edervastianos são muito estranhos. – disse Invall.

____

 

Donny esperou a chegada da noite, os homens de Edervast, revezavam uma vez mais na frente, Donny reparou que a cada hora que passava, os homens da frente recuavam e outros de trás tomavam as suas posições, avançando depois um passo e cravavam o escudo no chão ao mesmo tempo que gritavam um estrondoso “OH!”, foi numa das revezas que Donny aproveitou para sair da sua toca, descendo rapidamente pelo pequeno desfiladeiro no meio da vegetação, esgueirou-se por trás de uma das casernas de vigia onde cerca de cinco homens se escondiam, sorrateiramente, passou, esgueirando-se depois por entre a vegetação, descendo pelas laterais em busca da entrada para o túnel.

Ao chegar perto viu que os homens de Edervast aguardavam em frente aos mesmos, tinham estado a bloqueá-los com pedras e lanças, quem tentasse sair por ali seria morto, Donny correi para um dos respiradouros do túnel, mas até ai estavam homens de vigia, decidiu então correr o maior dos riscos, teria de atravessar a planície, correu então de rocha em rocha tentando esconder-se o mais possível, assim que acabassem as rochas teria de correr quase mil passos até à primeira torre, sabia que tinha de ter algum avança não fossem os espiões de Edervast estarem perto, sentiu-se seguro quando chegou à ultima rocha, não via nenhum homem nas proximidades, olhou uma vez mais e saiu a correr que nem um doido, ouviu ao longe um, “atrás dele, não o deixem fugir”, “é só uma criança, os vigias da torre não o deixarão com vida”.

E Donny correu como um doido!

 

O Povo da Águia PT III

Janeiro 27, 2017

Pinheirinho

 

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Donny manteve-se o mais quieto e calado possível, estava rodeado de homens de verde, quase invisíveis na vegetação, estava bloqueado e dali não podia sair, teria de esperar que a noite caísse, mas não acreditava que os tropas perfilados no Vale das Lamas dormisse ali, passaram-se duas horas e ninguém se moveu, ficaram apenas imoveis, os que caminhavam por entre a vegetação tinham enviado cerca de metade dos homens para a boca do desfiladeiro para verem as movimentações, Donny apenas os via a correr de um lado para o outro, uns agitavam bandeiras verdes outros agitavam amarelas.

Ouviu-se um grande estrondo, Donny soltou um grito com o susto, felizmente ninguém o ouviu, os batalhões perfilados deram todos um passo ao mesmo tempo cravando de seguida os escudos no chão, mais bandeiras amarelas e verdes a serem agitadas, outro passo, ainda mais barulhento que o anterior. E novamente bandeiras amarelas e verdes a serem agitadas.

Donny pensou nas aulas de táticas de guerra, as suas favoritas com o Mestre Ariannor, até hoje em todas as batalhas contra os Reis de Edervast, as bestas Lupinos, ou os exércitos de mortos vivos do deus Kaskade, nunca o povo da Águia perdeu uma batalha, costuma sair de encontro ao seu inimigo, ali mesmo no Vale das Almas e ali, combate-los frente a frente em terreno aberto, mas há muito que o Mestre Ariannor lhe tida dito que desde a tomada do desfiladeiro Trunn, que os as ordens são outras, deixaram de os enfrentar no vale das almas, agora se querem combater que venham até à planície de Sangue onde a enorme muralha se ergue.

Donny apesar de ter apenas 7 anos e lhe faltar 1 ano para viajar para o Circulo da floresta, sabe que os Reis de Edervast não cairão nessa cilada, conhecem as histórias sobre o Ninho, há quem diga que até conhecem a arquitetura dos mesmos, sabem os seus pontos fracos e fortes e conhecem o sistema de tuneis, dai os homens com as bandeiras, deve ser a forma que arranjaram para ver quando os espiões saem para ver o que se passa, os homens não comunicam, depois todo aquele barulho, de certeza que é isso, estão a estudar de onde saem os homens, por esta altura o Rei Eric já deve ter mandado fechar as entradas para os tuneis, ou então prepara-se para sair de entre a proteção da muralha e vir lutar contra o inimigo em campo aberto.

As horas passavam-se, a sua mãe já devia de estar preocupada, tinha fome e sede, mas tinha medo de se mexer, seria visto e facilmente capturado e a noite nunca mais vinha, teria de usar o túnel externo o mini túnel que servia de respiradouro que a sua mãe um dia lhe mostrou, mas não estava fácil, a cada 5 minutos davam um passo firme e forte, ecoando por todo o vale, ao longe ouviu o som de um corno, este era o som de aviso aos inimigos, os exércitos iriam sair de entre as muralhas, um erro crasso, pensou Donny.

Agitaram-se bandeiras vermelhas e os homens revezaram-se os que estavam na frente recuaram e vieram outros para a frente, esses empunhavam lanças duas vezes maiores do que eles, mas só se via a ponta em frente ao escudo, os homens de verde nas colinas eram agora muitos mais do que aqueles que à pouco via, estavam bem camuflados, pensou ele, ao ver que todos tinham arcos e flechas pronta a disparar, os homens da Águia iriam cair numa cilada, devem ter estado a perguntar aos vigias o que se passava e quem respondia era o inimigo dando respostas contrárias, temia pelo seu povo, tinha mesmo de fazer qualquer coisa e rápido!

O Povo da Águia Pt I

Janeiro 12, 2017

Pinheirinho

 

No planalto de Roskard foi construída a maior muralha já edificada pelo homem, com a ajuda dos povos da floresta, os eternos Nectarianos e os humanos livres construíram o Ninho da Águia, uma gigantesca fortaleza com as muralhas em U que tapavam a única passagem entre as terras de Edervast e a floresta proibida, um local único e mágico no centro a grande árvore e o seu Nectar, quem dele bebe torna-se imortal, ou quase, os anos passam à mesma mas numa contagem diferente, cada ano de vida de um Nectariano equivale a 20 anos na vida de um mortal, a sua pele fica mais dura, o seu corpo fica maior e mais alongado, fica com uma força 10 vezes maior, mas isso só no inicio, nos primeiros 200 anos, depois vai ficando mais lento e mais parecido com uma árvore, quem bebe do se néctar também é conhecido como arbóreos.

Este povo sábio ao ver a ganancia dos homens em relação ao néctar decidiu que apenas os mais justos e merecedores tenham acesso ao mesmo, por isso construíram o Ninho da Águia para criar esse tampão e desde que foi construído viu enumeras batalhas, infindáveis conflitos, todos querem ter acesso ao néctar, todos querem beber da sua fonte, todos querem ser imortais, todos não, passo a explicar.

 

À muitos séculos atrás, ainda os deuses eram jovens Vallina a Deusa da pureza,  saúde e da esperança andou pelo mundo à procura das Arcas, com ela viajavam 2 deuses e 4 semideuses, Werdénia, a Deusa da floresta, Giorgianna, Deusa do passado, os Semideuses, Vollovina, criada pelo Deus da criação como protetora de Vallina, é invisível quando quer viajando através do vento, Develin o protetor, era também o mensageiro dos Deuses, Arkannon o mais letal dos guerreiros, o seu corpo disforme e monstruoso enche qualquer coração de medo e Sirdvar, tem o dom de atravessar paredes, entra em qualquer sitio sem precisar de porta.

Juntos palmilharam a terra em busca das Arcas, muitas estavam intactas, outras nem por isso e as pequenas rachas criaram estranhos humanoides, outras foram destruídas, mas quando encontraram aquelas a que chamaram a estrela de vida apressaram-se a abrir as Arcas, a estrela eram 5 Arcas colocadas frente a frente, os humanos que saíram do seu interior estavam perfeitos, evoluíram de forma perfeita, ficaram contentes com o achado, nos dias que se passaram dos 5 quatro quiseram abandonar aquela zona e povoar a terra, aquela terra chamou-se Edervast. Os outros 4 grupos foram-se separando cada um deles acompanhados por um Semideus e uma Deusa, Vallina acompanhou 2 grupos em busca da costa, Georgianna levou um para as terras perto do seu palácio e Werdénia levou outro em busca da Floresta, todos chegaram ao seu destino sem problemas, apenas o grupo de Werdénia e Arkannon se perderam na sua busca, o povo tinha fome, caminhavam à dias, Werdénia alimentou-os de bagas e raízes, mas não chegava, queriam mais, Werdénia sentiu-se perdida, não era ali que estava a floresta ali era um deserto, tinham escalado as montanhas de Edervast a descida foi complicada e agora atravessavam um deserto árido e sem nada para beber ou comer.

Uma jovem caiu e faleceu devido à fome e sede, werdénia começou a chorar compulsivamente, cada lágrima dela fazia brotar vegetação, olhou à sua volta e sem que Arkannon a pudesse impedir cortou os pulsos deixando o seu sangue escorrer para o chão, ali mesmo nasceu a grande árvore e a sua seiva que alimentou toda a gente, Werdénia também bebeu o seu néctar, esteve dias em coma, mas salvou o povo e criou uma floresta inteira, desde esse dia esse povo vive junto à arvore nas fortaleza do Circulo da Floresta, o último bastião entre a árvore sagrada e a ganancia dos humanos.

Nos dias que se passaram Werdénia descobriu que metade dos humanos não beberam o Néctar, com a floresta a brotar daquela forma continuaram a alimentar-se de bagas e raízes, não percebeu o porquê, não fazia sentido, decidiu questionar um dos humanos, era o mais velho de todos supôs ser o líder.

- Porque é que não beberam o Néctar?

- Porque não quisemos, havia água, havia rebentos, havia bagas, foi mais do que o suficiente, além de que o Néctar tem um cheiro estranho.

Werdénia riu com a careta que o humano fez, já tinha reparado que o Néctar tinha efeitos secundários, quem o tomou estava mais forte, mas ao mesmo tempo mais sábio, durantes dias trabalhou com esses mais sábios na busca de uma forma de beber o Néctar sem ser na sua forma bruta, para durar mais tempo e desde esse dia o povo Nectariano nasceu e aprendeu que as crianças não o podem tomar, param de crescer, só se pode tomar o Néctar depois de fazer os 25 anos, quem não bebeu de inicio bebeu depois quando chegou a Velho, criaram uma comunidade sã e pura e muito inteligente, criaram a Fortaleza da Floresta, uma fortaleza circular com 5 anéis de muralhas, a única forma de entrar é por uma das 4 portas subterrâneas cheias de armadilhas e caminhos traiçoeiros, a vegetação cresce entre muralhas e tapando-as tornando-a quase invisível, mas depois de vários ataques à mesma os Nectarianos tiveram a mais brilhante das ideias, criar uma muralha tapando o único caminho entre Edervast e a Floresta, e assim colocaram mãos à obra e construíram o Ninho da Águia, dando essa Fortaleza aos povos livres.

Durante séculos assim tem sido, os jovens vão para o Circulo Verde, nome dado pelos humanos à Fortaleza da Floresta, treinar com os melhores professores, tanto no ensino da escrita e leitura, assim como matemáticas, história e a arte da guerra.

Quando regressa ao Ninho são já exímios guerreiros, fortes e dedicados e alimentados pela força do substrato de Néctar, todos os efeitos positivos, nenhum dos negativos, não são imortais, envelhecem, apenas mais devagar, são mais fortes e ágeis e altos, mas não viram arbóreos.

Até aos dias de hoje apenas uma armada chegou às muralhas brancas do Ninho. Para isso teve de passar as planícies da Glória, conquistando-as ao fim de 25 anos de batalhas, chegaram às planícies do Ninho, mas as tropas da Águia expulsaram-no de novo da sua planície recuando até ao desfiladeiro de Trunn, hoje a sombra negra da Barragem, a fortaleza circular criada pelo povo de Edervast, paira sobre o ninho a sua construção está concluída à 2 anos e nesse tempo Lars o Negro Rei de Edervast prepara o seu ataque final.

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