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Crónicas do Novo Mundo

Depois de séculos de escuridão, os sobreviventes da grande catástrofe emergem das Arcas de Vida, gerações e gerações depois os humanos voltam a caminhar na terra, que se abram as portas do novo mundo!

Crónicas do Novo Mundo

Depois de séculos de escuridão, os sobreviventes da grande catástrofe emergem das Arcas de Vida, gerações e gerações depois os humanos voltam a caminhar na terra, que se abram as portas do novo mundo!

O Povo da Águia PT IV

Janeiro 30, 2017

Pinheirinho

 

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- Isto não pode ser, não pode, o nosso povo nunca foi de ficar entre muralhas! – gritou o velho Andernot por detrás das suas enormes barbas.

- Sair Agora seria o nosso fim, mas vocês não pensam? Parem de usar apenas os músculos e usem a cabeça para pensar! – gritou em resposta o general Erdinger.

- Concordo, não podemos sair assim enfrentar um inimigo assim só porque ele nos chama, mas somos o quê afinal, crianças? – gritou Malvai, ao levantar-se esmurrando com força a mesa levando muitos do concelho a acenar com a cabeça em concordância.

- Do que é que nos serve ficar aqui afinal? Cobardes a esconderem-se entre muralhas? O Vosso pai já estaria lá fora a mostrar a esses amadores o que é um Homem do Ninho! – Gritou novamente Andernot atirando perdigotos para cima de todos.

- Sim o meu pai ou o meu avô já estariam lá fora, mas também foram eles que perderam o desfiladeiro e o vale das Almas. Eu disse-vos que no inicio da construção devíamos de ter atacado, mas vocês aconselharam que não, que não se devia atacar construtores e homens desarmados, pois bem, não o fizemos e agora vejam o tamanho do exercito deles, é verdade que cada um de nós vale 50 deles, mas não é por isso que vamos sair daqui e combater o inimigo no terreno deles, deixem-nos vir até aqui, assim que chegarem à planície sairemos de entre as muralhas e os combateremos no nosso campo, e ai sim, mostraremos a nossa força. – Gritou o Rei Eric, muitos lhe acenaram com a cabeça, ouvindo-se pela sala palavras como “Isso mesmo”, “Vamos a eles”, “Não valem o ar que respiram”.

- As minhas desculpas meu Rei, mas não devíamos de ser tão ingénuos a esse ponto, nenhum exercito alguma vez passará estas muralhas, são intransponíveis, dentro das nossas muralhas acabaremos com a raça deles! – Disse Erdinger de forma ponderada.

- Tu és é um maricas, um falso General, sabes em quantas batalhas já entrei? Mais de 20 e ainda aqui estou, sempre combatendo cara a cara com os vermes de Edervast, alguma vez me escondi? Nunca!! – Gritou uma vez mais Andernot.

- Não é medo, seu artolas, é pensar nos nosso povo, olha à tua volta camelo, somos cada vez menos, a nossa mania das grandezas de sermos os melhores guerreiros da terra, está a acabar, o Exercito de Edervast é 10 vezes superior ao nosso e isso só o que vemos, somos uma formiga no seu caminho se saímos lá para fora, iremos condenar o nosso povo à extinção! – Gritava agora Erdinger, enquanto Andernot se espumava de raiva e dois homens ao seu lado o agarravam.

- Chega, o Rei decidiu está decidido, iremos enfrentá-los em campo aberto, mas primeiro esperem que eles venham até cá, quero ver a coragem deles para chegar até nós, até às nossas muralhas e ai sairemos e iremos enfrentá-los e não quero mais conversas! – Falou o Rei Eric enquanto se levantava e saía da sala, deixando todos a falar sozinhos.

- Que arrogância, será o nosso fim!

- Que é que disseste maricas! – Gritou Andernot  para Erdinger enquanto lhe tentava esmurrar a cara.

- Senhores, onde está o Rei! – Gritou um guarda da muralha ao entrar na Sala de rompante.

- Que se passa jovem? O Rei Saiu, mas podes dizer! – disse o concelheiro Invall.

- Senhores está uma Criança a atravessar a planície de Sangue na nossa direção, parece ser nossa, senhores!

- O quê? Que é que faz uma criança lá fora, se é nossa porque é que não usa os tuneis? – Gritou Andernot!

- Deixai-a entrar e tragam-na até nós, vamos ver o que ela quer, pode trazer uma mensagem, aqueles Edervastianos são muito estranhos. – disse Invall.

____

 

Donny esperou a chegada da noite, os homens de Edervast, revezavam uma vez mais na frente, Donny reparou que a cada hora que passava, os homens da frente recuavam e outros de trás tomavam as suas posições, avançando depois um passo e cravavam o escudo no chão ao mesmo tempo que gritavam um estrondoso “OH!”, foi numa das revezas que Donny aproveitou para sair da sua toca, descendo rapidamente pelo pequeno desfiladeiro no meio da vegetação, esgueirou-se por trás de uma das casernas de vigia onde cerca de cinco homens se escondiam, sorrateiramente, passou, esgueirando-se depois por entre a vegetação, descendo pelas laterais em busca da entrada para o túnel.

Ao chegar perto viu que os homens de Edervast aguardavam em frente aos mesmos, tinham estado a bloqueá-los com pedras e lanças, quem tentasse sair por ali seria morto, Donny correi para um dos respiradouros do túnel, mas até ai estavam homens de vigia, decidiu então correr o maior dos riscos, teria de atravessar a planície, correu então de rocha em rocha tentando esconder-se o mais possível, assim que acabassem as rochas teria de correr quase mil passos até à primeira torre, sabia que tinha de ter algum avança não fossem os espiões de Edervast estarem perto, sentiu-se seguro quando chegou à ultima rocha, não via nenhum homem nas proximidades, olhou uma vez mais e saiu a correr que nem um doido, ouviu ao longe um, “atrás dele, não o deixem fugir”, “é só uma criança, os vigias da torre não o deixarão com vida”.

E Donny correu como um doido!

 

O Povo da Águia PT III

Janeiro 27, 2017

Pinheirinho

 

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Donny manteve-se o mais quieto e calado possível, estava rodeado de homens de verde, quase invisíveis na vegetação, estava bloqueado e dali não podia sair, teria de esperar que a noite caísse, mas não acreditava que os tropas perfilados no Vale das Lamas dormisse ali, passaram-se duas horas e ninguém se moveu, ficaram apenas imoveis, os que caminhavam por entre a vegetação tinham enviado cerca de metade dos homens para a boca do desfiladeiro para verem as movimentações, Donny apenas os via a correr de um lado para o outro, uns agitavam bandeiras verdes outros agitavam amarelas.

Ouviu-se um grande estrondo, Donny soltou um grito com o susto, felizmente ninguém o ouviu, os batalhões perfilados deram todos um passo ao mesmo tempo cravando de seguida os escudos no chão, mais bandeiras amarelas e verdes a serem agitadas, outro passo, ainda mais barulhento que o anterior. E novamente bandeiras amarelas e verdes a serem agitadas.

Donny pensou nas aulas de táticas de guerra, as suas favoritas com o Mestre Ariannor, até hoje em todas as batalhas contra os Reis de Edervast, as bestas Lupinos, ou os exércitos de mortos vivos do deus Kaskade, nunca o povo da Águia perdeu uma batalha, costuma sair de encontro ao seu inimigo, ali mesmo no Vale das Almas e ali, combate-los frente a frente em terreno aberto, mas há muito que o Mestre Ariannor lhe tida dito que desde a tomada do desfiladeiro Trunn, que os as ordens são outras, deixaram de os enfrentar no vale das almas, agora se querem combater que venham até à planície de Sangue onde a enorme muralha se ergue.

Donny apesar de ter apenas 7 anos e lhe faltar 1 ano para viajar para o Circulo da floresta, sabe que os Reis de Edervast não cairão nessa cilada, conhecem as histórias sobre o Ninho, há quem diga que até conhecem a arquitetura dos mesmos, sabem os seus pontos fracos e fortes e conhecem o sistema de tuneis, dai os homens com as bandeiras, deve ser a forma que arranjaram para ver quando os espiões saem para ver o que se passa, os homens não comunicam, depois todo aquele barulho, de certeza que é isso, estão a estudar de onde saem os homens, por esta altura o Rei Eric já deve ter mandado fechar as entradas para os tuneis, ou então prepara-se para sair de entre a proteção da muralha e vir lutar contra o inimigo em campo aberto.

As horas passavam-se, a sua mãe já devia de estar preocupada, tinha fome e sede, mas tinha medo de se mexer, seria visto e facilmente capturado e a noite nunca mais vinha, teria de usar o túnel externo o mini túnel que servia de respiradouro que a sua mãe um dia lhe mostrou, mas não estava fácil, a cada 5 minutos davam um passo firme e forte, ecoando por todo o vale, ao longe ouviu o som de um corno, este era o som de aviso aos inimigos, os exércitos iriam sair de entre as muralhas, um erro crasso, pensou Donny.

Agitaram-se bandeiras vermelhas e os homens revezaram-se os que estavam na frente recuaram e vieram outros para a frente, esses empunhavam lanças duas vezes maiores do que eles, mas só se via a ponta em frente ao escudo, os homens de verde nas colinas eram agora muitos mais do que aqueles que à pouco via, estavam bem camuflados, pensou ele, ao ver que todos tinham arcos e flechas pronta a disparar, os homens da Águia iriam cair numa cilada, devem ter estado a perguntar aos vigias o que se passava e quem respondia era o inimigo dando respostas contrárias, temia pelo seu povo, tinha mesmo de fazer qualquer coisa e rápido!

O povo da Águia PTII

Janeiro 23, 2017

Pinheirinho

O Povo da Águia PT II

 

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Donny, mais uma vez fugira à escola, não gostava dos professores, nem dos colegas, gozavam com ele por ser diferente e nem sempre lhe davam a devida atenção, por isso fugia e passando o labirinto de túneis saia de entre a protecção das muralhas até ao sopé do Monte Krivel, depois subia pelo trilho da vigia e vinha ter com os guardas avançados nos seus postos de vigia ao longo da encosta.

Era ali entre os guardas que se sentia bem, ali tratavam-no bem, não percebia porquês, pois mais ninguém gostava dele, nem dele nem da sua mãe Magda, que vivia sozinha desde sempre.

- Lá vem o chato! – Disse Monocäer ao vê-lo chegar.

- Olá, posso ficar aqui de vigia com vocês?

- Podes pequenos, mas nada de conversas, que hoje dentro da barragem andam com muita movimentação.

O Ninho da Águia além das suas altas muralhas em forma de U, tinham também outras defesas, além de um intrincado sistema de subterrâneos que davam para várias saídas no sopé do Monte Krivel, e outras na planície de Sangue, assim chamada devido à cor alaranjada da mesma, tinha ainda um sistema de vigias ao longo da encosta que dava para o Vale da Glória, Vale esse que terminava no Desfiladeiro das Almas, onde hoje se erguia imponente a Fortaleza da Barragem, uma obra gigantesca com uma muralha circular de forma a esconder as entradas que se situavam nas laterais, as muralhas exteriores têm uma série de espigões de aço, os homens da Águia costumam brincar sobre isso, dizendo que não é a melhor das ideias visto que se os exércitos formarem em frente à fortaleza, se o atacante pressionar forte e os obrigar a recuar, uns quantos serão mortos pela própria muralha, mas talvez não seja assim tão fácil, por toda a amurada estão montados uma série de trabuques e acredita-se que existam mais no interior, a unir os dois desfiladeiros ergue-se uma enorme torre, quase se fundindo nos dois, escondendo dos homens da águia o seu real tamanho.

Donny olhava a muralha em busca de algo, à dias ajudou os homens pois conseguiu ver movimento nas encostas, um grupo de 4 batedores haviam saído da Barragem pela calada da noite, completamente vestidos de negro e no maior dos silêncios, mesmo assim Donny conseguiu ver movimento, que os homens usando o sistema de comunicações avisaram os companheiros na vigia mais próxima que os caçou sem feridos ou barulho, infelizmente nenhum dos inimigos sabia de nada, apenas tinham ordens para observar as defesas do Ninho.

Hoje enquanto Donny olhava a fortaleza parecia um dia como qualquer outro, tirando o barulho que vinha da mesma.

- “Os portões estão a abrir!” ouviu-se no intercomunicador.

- “Estão armados para combate, estou a avistar o primeiro batalhão, Lança escudo e espada.”

- “Deste lado também”

- Vai para a muralha Donny! – Disse Monocaër, colocando-lhe o braço no ombro.

- Mas…

- Vai já!

Donny saiu a correr, desceu rapidamente o desfiladeiro e entrou no labirinto do subsolo em direcção ao Ninho, depois parou, ficou a olhar e decidiu voltar para trás. Entrou numa outra parte do labirinto, saiu por uma outra porta, voltou a subir a encosta, só que desta vez foi antes para as antigas vigias, hoje apenas buracos abandonados, mas que lhe dariam uma visão perfeita do vale das almas e proteção contra o inimigo, ficou bem quieto deitado no chão a olhar.

Neste momento já estavam uns 6 batalhões no exterior e mais outros saiam de entre as muralhas pelas suas portas laterais, estavam dispostos em quadrados de 150 homens, assim que os dois primeiros batalhões chegaram a meio do vale pararam e fincaram com força os escudos no chão. Outros batalhões foram formando fazendo exactamente a  mesma coisa.

Donny via movimentações na encosta, havia homens a descer pela mesma, estavam camuflados como os outros que vira da outra vez, quase indistintos da vegetação, Donny ia gritar para os vigias, mas passaram dois pés mesmo ao seu lado, não o viram, continuaram a descer, mais outro e mais outro, ficou o mais quieto possível, no outro lado do vale onde à pouco estava os dois vigias lutavam contra aquela turba de homens de verde, tendo sido rapidamente eliminados, Donny quis chorar, mas o barulho iria chamar a atenção pois homens continuavam a descer a encosta e tomar posições nas vigias e ao lado das mesmas, tendo neste momento acesso a todas as comunicações, tinha de avisar alguém, rápido!

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